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Torquato 65

Barrocão: Esquina São João com 7 de Setembro 

A edição de novembro do Projeto #1MinutoParaDança trilha ruas de Teresina para reencontrar um teresinense perdido na memória da cidade: Torquato Neto. Cruzando histórias, refazendo percursos, demarcando trajetórias.

Evidenciando um acentuado descaso com a memória do artista, o projeto objetiva estabelecer pontos de referência histórica, por meio das ruas que perfizeram a trajetória de boa parte da vida de Torquato, reapresentando à cidade o acervo imaginário que permeia a obra do artista. 

A cidade reencontra a figura de Torquato Neto pelos movimentos da dança contemporânea produzida pela Cia. Luzia Amélia, que, reinventando artes e artimanhas, percorrerá as ruas, de mãos dadas com o mito.

O imaginário simbólico-criativo e as principais referências identitárias de Torquato Neto estão e sempre estiveram aqui em Teresina.

Suas lembranças passeiam, como ele mesmo adorava fazer, pelas calçadas, ruas, praças e coroas do rios. Torquato pertence à Teresina e esta, a ele pertence. Reforçar esses vínculos entre a cidade e seu irrequieto artista pode se tornar, para a dança contemporânea, uma proposta desafiadora. Como deslocar para o mundo da dança o universo de Torquato?

O artista que sempre transitou por vertentes outras da arte é investigado agora pela Cia. Luzia Amélia.

 

“A inocência não é desculpa.”

Torquato é uma expressão violenta de Teresina contemporânea, do corpo, do movimento, do cruzamento de linguagens, seu percurso vida/morte é vizinho nosso, há com certeza muito para se dizer sobre este teresinense.

Torquato está em trânsito, de passagem, em percurso, solto pelas ruas da cidade:

 

Ê, São João, ê, Pacatuba
Ê, rua do Barrocão…

[A Rua, Torquato Neto]

 

Convidados Mesa Redonda: Dia 27/11 às 16 h – Sesc Av. Maranhão

George Mendes / Kenard Kruel / Claudete Dias / Noronha Filho / Bugija Brito / Lena Rios / Arnaldo Albuquerque

Intervenção/Percurso: Dia 25/11 – 9 h – Ruas do Barrocão

Para conhecer o trabalho do Jairo, vistem seu FLICKR

Clique nas fotos para ampliar.

Intervenção

A cidade desconstrói-se por meio desse projeto. O corpo é quem redesenha a cidade, repensa e recria seus espaços. Movendo-se sob os escombros da memória coletiva. Por entre o que compreendemos ser patrimônio cultural in/visível.

Irromper uma intervenção em dança no espaço da cidade no qual argumentamos ser o “antigo cemitério dos negros”, construtores de nossa cidade, significa desenterrar o silêncio, desapropriá-lo.

 O corpo é a cidade, que coleta suas histórias e as personifica.

O que elaboramos no corpo como cidade está incompleto, a história de nossa cidade está enterrada sob o concreto.

Foto: Jairo Felipe

Intervenção Edição de Outubro

Matéria Meio Norte

Matéria o Dia

 

Pra saber mais sobre o Projeto ou ver mais fotos acessem outros canais:

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No início da Av. Frei Serafim, ao lado da Igreja S. Benedito, onde hoje se enxerga um Posto de Gasolina, ficava o antigo cemitério dos negros dessa cidade. 

Foto: Danilo Medeiros

Dançar afetos com a cidade: Pina Baush, Tanz Theater Wuppertal e Istambul escrito por Bianca Scliar Mancini em abril de 2009 e disponível no Idança,  faz não apenas uma crítica tradicional ao trabalho de Pina, como a autora mesma faz questão de frisar, mas elabora um pensamento de interseção entre a dança com a cidade.  Fazendo-nos repensar intensamente o que seria a minha cidade, o que elaboramos no nosso corpo como cidade, o que seria o corpo que ao tempo em que pertence também é pertencido?

Bianca Scliar nos traz questões novas e questões novas nos trazem sempre novos vocabulários corporais. Acredito que dançar afetos com a cidade é também ver [a cidade] de outra forma, é buscar outros nexos para o espaço que habitamos.

Luzia Amélia

Edição: Outubro/09

Edição: Outubro/09

Cartaz desta edição
Cartaz desta edição
Cia. francesa que abriu a Bienal

Cia. francesa que abriu a Bienal

Citando Lya Luft, Clarice Lispector e Saramago, Paulo Linhares abriu oficialmente, como organizador, a VII Bienal de Dança do Ceará, falando para um Teatro José de Alencar super lotado. Além das cias. que se apresentaram naquele palco, uma tocante homenagem ao crítico e pesquisador Roberto Pereira, falecido em junho, marcou a noite.

prosposta de e-flyer do projeto

proposta de e-flyer do projeto

Teresina,Piauí

Teresina,Piauí

Para Certeau, a cidade se cria a partir de seus encontros.

Propomos com o Projeto 1 Minuto Para Dança recriar espaços a partir do encontro do corpo com a cidade. Com a cidade a que aquele corpo-performance pertence. Encontrá-la é estimulá-la para o movimento, para a ação, para pensar questões que competem a todos, não somente às autoridades. Queremos dançar com a cidade e não somente na cidade.

Mas o corpo também é a cidade, que coleta suas impressões e as personifica. O corpo redesenha a cidade, repensando seus espaços. O espaço da cidade é produzido historicamente, é algo que as pessoas acrescentam valores e significados.

Luzia Amélia

Dança do Calango no Teatro do SESC, em Parnaíba/PIA Cia. Luzia Amélia arrepiou mais uma vez o público com o seu trabalho através da dança contemporânea apresentando a temática da resistência do homem piauiense perante a seca e o encontro com os costumes populares. Segundo os presentes, uma experiência única que aumenta o desejo do retorno da Cia. ao litoral, em que a mesma, promete trazer seu novo trabalho chamado Mercado Central mas o evento ainda não tem data. Calma!

Vamos aproveitar ainda o encontro com a Dança do Calango. O evento foi uma realização da Cabaça Produções para atender ao seu objetivo de qualificar e quantificar os trabalhos realizados no litoral, por isso, além do espectáculo contou também com uma oficina para artistas com a Cia. teresinense no sábado pela manhã na Praça de Eventos Mandu Ladino. Aproveitamos para agradecer os parceiros do evento: Secretaria de Cultura de Parnaíba ( Fátima Carmino e equipe), Secretaria de Comunicação de Parnaíba, SEBRAE (Isabela Ribeiro e Elcio), SESC e o Sr. Gerivaldo Benicio pelo pronto atendimento a realização do evento.

Texto e Foto: Cabaça Produções

Exposição

Exposição de malhasA DANÇA DO CALANGO completa doze anos de estrada e se firma como um marco da dança piauiense.

O espetáculo percorreu importantes palcos do Brasil e Europa, encantando o público pela originalidade de suas coreografias, autenticidade de sua trilha sonora e simplicidade de seus figurinos e cenários.

Ágil e sinuoso, como um autêntico réptil da Caatinga, o espetáculo mostrou um fôlego inesgotável. Foram cerca de 600 apresentações.

E como se dissesse sempre “sim”, feito Calango, fez das adversidades uma nova oportunidade para trocar de pele. Cerca de 300 peças de figurinos foram recriadas ao longo das temporadas. 48 bailarinos fizeram parte do elenco desde a estréia em 1997.  

A obra explora o universo do sertanejo nordestino, nos apresentando um bicho/homem/calango sob um olhar lúdico, onírico, como numa fábula.

A história do espetáculo se confunde com a evolução dos bailarinos, suas verdades gestuais, seus repertórios e vivências cênicas.  Com o amadurecimento técnico e artístico da Companhia Luzia Amélia, seus discursos e ciclos estéticos.

Aberto a todos!convite caravana

Um ensaio que leva a outro. Quem os assite indica sempre alguém, assim caminha o Projeto SANGUE.

Realizamos aquele que será o último dos ensaios abertos deste espetáculo. (Será?) Desta feita, a historiadora Áuera Paz, o ator Chiquinho Pereira, o professor Fify Bezerra e o poeta Paulo Machado…

Fify Bezerra e Paulo Machado

Fify Bezerra e Paulo Machado

Por Luzia Amélia*

De Ponto a Ponto

Nós da Cia Luzia Amélia, resolvemos aqui em nossa Teresina, subverter a idéia de comemoração em torno do dia da dança, propondo para a cidade questões específicas do nosso fazer artístico. Fizemos uma performance itinerante e simultânea em várias paradas de ônibus e dentro de um ônibus que nos levou para a universidade federal. Invadimos a universidade, invadimos a biblioteca, queríamos com essa atitude chamar atenção para questões sérias como a implantação urgente de um curso superior de dança em Teresina, a necessidade de se pensar políticas publicas efetivas para a dança e cutucar os outros profissionais para a necessidade dos artistas bailarinos, coreógrafos refletirem e não apenas se deixarem levar por uma atividade meramente braçal, servindo para a maquiagem de eventos. Não somos apenas cenários, nossa atividade pode e deve gerar conhecimento.
A cada ponto de ônibus, um de nós entrava com figurinos improváveis. Ouvi um jovem falando que ia seguir até o final, mesmo saindo de seu caminho só para ver o que iria acontecer – um misto de alegria e ansiedade invadiu seus olhos. As pessoas dentro do ônibus, por sua vez, não sabiam o que fazer, ao mesmo tempo estavam, ainda que a contra gosto, participando ativamente da performance. Foi poético, emocionante, desconcertante. O motorista e o cobrador pareciam nossos companheiros de arte, nos olharam com uma cumplicidade, como se nos conhecessem, e dançaram também.
Na biblioteca central da universidade, parada final de nossa jornada, nos sentimos como corpos vindos de outras realidades, corpos proponentes e não marionetes, vivos, sujeitos do nosso processo. As reações foram as mais diversas, teve gente que dançou, tirou foto, riu baixinho, riu alto, se encolheu, silenciou… já quase no finalzinho um estudante bradou: “Isso é uma palhaçada! Eles não deveriam estar aqui, aqui não é o lugar deles”. Uma professora angustiada respondeu no mesmo tom: ”Isso é arte!”. E nós continuávamos ali imersos naquela aventura de dança, sentindo, suando, nos fazendo espaço e querendo espaço, em uma atitude deslocada de se dançar aonde se busca saber. Terminamos mais fortes e conscientes de nossa realidade artística, bailarinos, sertanejos, piauienses. E no nosso corpo, a pergunta: onde é mesmo o nosso lugar?

* diretora / coreógrafa da cia.

Drika Monteiro ligou-se a...

Drika Monteiro ligou-se a...

Sam Rocha a...

Sam Rocha a...

Nay Fabrícia a...

Nay Fabrícia a...

Antônia Luciana a...

Antônia Luciana a...

Vítor Macedo a...

Vítor Macedo a...

Andréia Barreto a...

Andréia Barreto a...

Déborah Radassi a...

Déborah Radassi a...

Jean das Neves a UFPI.

Jean das Neves a UFPI.

Aqui tem mais fotos.

de-ponto-a-ponto
Peça de Divulgação
Peça de Divulgação
Destaque: Jornal Meio Norte/Teresina

Repercussão: Jornal Meio Norte/Teresina

Jornal O Dia/Teresina

Jornal O Dia/Teresina

Por Chiquinho Pereira*

 

Uma junção de metáfora, pulos, contrações, formulações muito além da objetividade, mas que existe. E diante de todos nós do Teatro do Boi que pudemos ou não, ou nos recusamos a ir ver uma produção riquíssima em injunções e alusões sonoras, musicais. Beirando o dramático, ainda estou por ter uma leitura, mas faço desde agora um levantamento, senso comum sobre o pensamento daquilo que vi, tentarei relacionar com o atual em Teresina. Não é por que não compreenda, não é por que não saiba dançar, não é porque eu não conheça música ou que seja um aleijado para tudo que tem cor luz e forma, ou que ouça ou pense conhecer demais ou um pouquinho apenas, que ao menos não leve meus filhos ao teatro e amigos. Que meu mundinho não venha usufruir das coisas mais lindas que fizeram para mim, então este lugarzinho meu é lama cheia de depressão e loucura por dinheiro, conforto e outras taras. Mercado Central não pode ser tratado como fazem com as frutas inservíveis, não pode ser levado no caminhão que passa pela cidade, aos olhos dos que apenas dizem “olhar lá tanto tomate estragado, sendo levados aos porcos!”, e gente lá do lixão, os enrolados de espaguete, juntam a cidade. Rejeitos que são servido nos pratos, nas residências pobres, longe da “beleza”.

mercado-chiquinho

Acho que Mercado Central fala disto, da beleza e do não belo, não, nem do belo, nem do feio, mais muito mais e mais além… Um ruído, em minutos vastos serve às coreografias, os bailarinos por vários destes dançam… Uma pequena frase repetida, repetida… alcança núcleo dramático, sai do ruído para som do som para o ritmo, do ritmo pra a mensagem, em pequenas células… e foi isto que vi pequenas células de muita coisa, de muita coisa… O que meus sentidos foram tocados e agora estarão no lixo de minhas retinas, alimentando meu sangue. Sempre estamos construindo e seria bom que construíssemos um mundo de liberdades, para onde as humanidades masculinas e femininas um dia voltem-se como possivelmente amorosas. Fazer arte é um a tarefa dificílima, principalmente quando se estiver pressionando pelo descrédito, pelo medo, pela falsa sensibilidade, é preciso ser além das humanidades locais, assim entendo todo o trabalho de Luzia, alguém que esteve aqui no teatro do Boi construindo uma história, que inseriu e depois desertou para além do município, mas sempre começando de muitas maneiras, como se nunca tivesse partido. Veio agora debelar o carrego. O Jone, meus Deus! Absorto em sua tensão passou por cima do fio da tomada, tivemos uma pausa e depois tudo prosseguiu do jeito que foi. Voltando ao assunto Luzia Amélia, que adquiriu conhecimento suficiente, superior capaz de fazer forte a qualquer crítica. E humilde para saber ir buscar onde estar acontecendo algo, a informação necessária à sua criação (o que digo é apenas luma, energia, talvez logo volte a terra). Isto que não estão vendo, que Mercado Central vê e faz. Faz o cotidiano daquelas barraquinhas, a levar e a trazer frutas, dos casos de vendas de corpos dos homossexualismos femininos e masculinos, abertamente rachados entre a barafunda de informação ou desinformação a fazer daquele mundo um universo-lugar de forças que se arrastam para continuar vida, e vivem no bom e melhor ou todas as formas de se fazer gente ou bicho gente, mais, de transformar em metáforas aquilo tudo que é o centro de Teresina e do todos os mercados brasileiros. A força empregada pelos bailarinos de não deixarem que digam por ai que eles não têm técnica, que o pensamento-ação não é atual, espero que resistam, espero que este grupo não seja obrigado a recomeçar, por forças dos “nãos”. Luz! Existe uma força luminosa, chegaram aqui, são mais que seres humanos, poderão ir mais além. Luz! Deus sol ama as horas de carniça. Esta práxis de não ser vítima do preconceito local e nacional, na escolha do perfil físico dos bailarinos, apenas um de cútis quase 100% negra, é certeza de que lá por fora ainda não podemos de modo algum deixar de lado o provinciano nacional e local que nos obrigam a usar seus modelos e não somente os nossos. Vejo um grupo, disposto a pagar o preço. Deixados de lado, por discípulos e outros tantos, resistindo… Iguais a todos os camelôs, barraqueiros, gordas vendedoras de coisas gordurosas… Gente da CODIPI, do São Joaquim lá no Mercado Central.

 

* Ator e diretor do Teatro do Boi

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